Cansada, mas não derrotada...
Sinto-me cansada desta vida de fazer uma coisa só porque tem de ser, sem ter gosto...já sei que sou nova, que tenho muita sorte em ter um emprego com toda esta crise, mas deveria eu conformar-me a isto? Tenho tantas ambições (atenção que "ambição" é diferente de "ganância...)...sonho com voos bem mais altos que este...mas sou uma lutadora. Sei que um dia vou olhar para trás e pensar que tudo valeu a pena. Ou será que é a inexperiência dos meus 21 anos a falar?
Em relação a comida...é aquela velha história, nada tenho a acrescentar. Passo fome, empanturro-me, passo fome, empanturro-me...a solução parece ser evidente...deixando de passar fome, deixo de me empanturrar...mas isso não funciona comigo. Acho que chegou foi altura de me mentalizar que a comida não resolve os meus problemas. Todos os problemas que eu tenho continuam lá, mesmo depois de eu ter comido. Pior, o meu estado agrava-se pela constatação da minha falta de controlo e dos quilos a mais que se seguem às compulsões. Para quê comer? Comer não é mais do que um prazer instantâneo, uma ilusão. Devemos comer para viver e nada mais do que isso. Nenhum chocolate curou jamais uma desilusão amorosa, nenhum prato de batatas fritas tirou a depressão a ninguém...pelo contrário. As consequências físicas destes ataques deixam-nos ainda mais em baixo.
Afinal, o que é a comida? Que espaço vem ela preencher nas nossas vidas? Será que somos mais fracas do que uma coisa inanimada? O que é que aquele chocolate, pequeno, castanho, imóvel, tem de mais poderoso que nós? NADA! Tudo o que fazemos é o nosso cérebro que manda...por isso, é preciso muita ginástica mental para nos habituarmos à ideia de que a nossa força de vontade tem de ser superior a tudo o resto...se não der para ser sempre (porque o ser humano tem fraquezas), que seja, pelo menos, uma parte da nossa rotina!
Ontem à noite, na 2, deu um programa sobre anorexia, não sei se alguém viu... e, mais uma vez, apercebi-me de que nunca vou ficar boa. Nunca ninguém fica. Há aquelas que morrem e aquelas que vão vivendo/sobrevivendo, com uma aparência de recuperação e até de normalidade. Mas aquela voz que nos ordena a ser mais magras nunca sai da nossa cabecinha, nunca, por muito que tentemos lutar contra ela. Ela vai estar sempre lá para o resto das nossas vidas, mesmo que nem sempre se faça ouvir com a mesma intensidade. Nuns dias acharemos que estamos melhor, nos outros iremos perceber que jamais poderemos sair vitoriosas desta batalha.
Tenho de me mentalizar que preciso de aprender a viver com isso. Mas estou cansada, cansada de tudo isto. É uma dor, uma luta, um sofrimento. Queremos ser saudáveis mas, ao mesmo tempo, a falta de controle sobre a comida e o ganho de peso apavoram-nos. É uma sombra que fica para o resto das nossas vidas. E o que resta é procurar sempre o sol. Mesmo que não o vejamos brilhar...ele está sempre lá.
Um beijo




